“O Ponto Triplo
passou a ponto de congelação.
Por falta de tempo
e de inspiração”
“O Ponto Triplo
passou a ponto de congelação.
Por falta de tempo
e de inspiração”
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Falta-me o ar quando tu não estás.
Não existe oxigénio à minha volta
e os demais gases são demasiado rarefeitos.
Sufoco e engasgo-me,
nas condições anaeróbicas da tua ausência.
Ruborizo e empalideço,
alternadamente quando me faltas
e quando me dou conta do espaço vazio
que existe em teu lugar.
A minha respiração pára,
no instante preciso em que te vais,
e como submergido em águas profundas,
sinto-me asfixiar
ao mesmo tempo que se me tolda a visão.
Sinto os sentidos deixarem de o ser
e a percepção do redor empalidecer.
Sinto o corpo, lentamente e hipo termicamente,
entrar em letargia.
E quando por entre o turvo da água em redor,
por entre o mareio e o zumbido,
te vejo aparecer,
agito braços e pés e subo à superfície,
atiro com o corpo para fora de água,
encho os pulmões a toda a força
de todo o ar que suporto,
sinto a circulação novamente
e então abro os olhos e volto a mim.
No mesmo instante
em que tu também voltaste.
A mim…
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Um dia quis ser perfeito.
Um dia ansiei ser melhor.
Até ao bater com a mão no peito
e reconhecer o fracasso com dor.
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Tu és a última das Princesas
e a mais graciosa Dama.
Aquela que me mantém a chama acesa
e me completa a cama.
E quando inanimado caio
no chão desfaleço sem vida,
por entre qualquer osso torácico
injectas a tua seringa de adrenalina.
Directamente ao coração
descargas vida e alento,
seguras firme com a tua mão
a dose certa da alma e alimento.
Anjo libertador das garras do fracasso,
inspiras-me e fazes-me expirar,
apoio a cabeça em teu regaço
és a causa de eu não naufragar.
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Querer até mais não poder.
Ansiar até mais não querer.
Não é mais que o caminho mais curto
entre o desesperar e o sofrer.
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Levei-te a passear,
no meu cavalo alado,
ao meu mundo de sonhos e de nuvens.
Levei-te ao colo,
ás alas do meu jardim suspenso,
e saltámos de nenúfar em nenúfar,
como duas libélulas no auge da Primavera.
Pendurei-te flores no cabelo
e fiz-te brincos de pétalas.
Apertei a tua mão,
com a mesma dose de força e ternura,
no momento exacto em que o sol abriu
para nos deixar ver.
Apertei-te contra mim,
com a mesma dose de segurança e amor.
Levei-te a dar uma volta,
no carrossel das minhas fantasias
e rodopiámos os dois,
suspensos nos braços um do outro.
Foram momentos em que cada um de nós
entrou no outro até onde pôde.
Levei-te a passear pela vida fora,
e na boca de cada um
brotaram doçuras e mimos,
mas principalmente uma consagração final:
“Vamos envelhecer juntos.
E morrer no mesmo instante!”
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Num planeta distante,
na galáxia mais brilhante
numa nebulosa escondida
num mundo desconhecido.
No fim do tempo,
ou no momento presente
No espaço profundo,
ou no fundo da rua.
Eu sei que existes.
Eu sei que me vês.
Eu sei que te quero ver.
Um dia faremos acontecer.
Um dia viajaremos juntos.
Um dia deixaremos este planeta e
a vida começa outra vez.
Num dia que não
está no calendário
Num lugar que não
está em nenhum mapa
Entraremos em contacto.
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Chegaste de mansinho,
bela e fresca como uma gota da água mais pura
à garganta mais áspera e seca.
Entraste, como o raio de luz mais cálido
por entre a fresta da janela mal fechada
no quarto escuro e vazio.
Apareceste,
sedenta de conhecimento
e bebeste das minhas palavras,
fazendo delas alimento para a tua mente.
Trazias perguntas e inquietações
às quais não era fácil responder,
mas era um crime não saciar.
Trouxeste alegria e vida,
como a fruta orvalhada numa manhã de Verão.
E assim, pouco a pouco,
ver-te desflorar como a mais fina flor,
pétala a pétala.
Ver-te abrir e ver-te encantar.
Ver-te ir ao encontro
dos grandes planos que a vida tem para ti.
Oxalá não tropeces nas ervas daninhas do jardim!
E assim, sentada em frente a mim
com o olhar intermitente,
a que só a espaços consegui fixar,
consegui ver em ti
o frasco do veneno mais doce
do qual temo provar, pois uma só gota,
tanto pode matar como embriagar.
Consegui ver em ti,
a tecla mais branca do meu piano,
à qual ouso tocar com medo
do seu timbre me ensurdecer.
Consegui ver em ti,
a jóia mais preciosa
pela qual muitos homens poderiam matar.
O diamante em bruto,
que muitos quererão lapidar.
O tesouro mais precioso
que muitos não saberão guardar.
É pena!
Mas tive sorte.
Consegui ver!
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